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Fratura-Luxação de Lisfranc


Jacques Lisfranc de St. Martin foi um médico cirurgião francês que nasceu em 02 de abril de 1790 em Saint-Paul-en-Jarez, uma aldeia situada entre Saint-Etienne e Lyon.

Iniciou sua carreira e aprendizado cirúrgico em Lyon e, após alguns anos, mudou-se para Paris onde estudou com o famoso médico Guillaume Dupuytren. Obteve seu diploma em 1813 e trabalhou como médico do exército francês no final das guerras Napoleônicas, durante a última campanha saxônica em Leipzig (1813-1814).

 

 

Por 22 anos foi um renomado anatomista e cirurgião do Hospital La Pitté em Paris.

Ele nomeou diversas áreas anatômicas (tubérculo, ligamento e articulação de Lisfranc), lesões (fratura-luxação de Lisfranc) e descreveu diversas técnicas cirúrgicas (retirada de tumores do reto, retirada de cálculos da bexiga em mulheres e amputações do ombro e da região anterior do pé).

Jacques Lisfranc de St. Martin morreu em 13 de maio de 1847.

Em seu túmulo, no cemitério de Montparnasse (Paris), pode-se ler a mensagem:

 

” Se a cirurgia é brilhante quando se opera, ela é ainda mais brilhante quando não há sangue e mutilação, obtendo a cura do enfermo”

 

            

 

Seu nome é reconhecido na ortopedia pela descrição da lesão da articulação tarsometatarsal, isto é, a fratura-luxação que ocorre na articulação que delimita o mediopé do antepé (articulação de Lisfranc) e envolve o 1º ligamento tarsometatarsal; também descrito pelo famoso médico francês como ligamento de Lisfranc, que estabiliza a articulação entre o cuneiforme medial e 2º metatarso.

A articulação de Lisfranc subdivide o pé em mediopé e antepé. É formada pelas articulações entre os três cuneiformes e os três primeiros metatarsos (1º, 2º e 3º) e entre o cubóide e os dois metatarsos laterais (4º e 5º).

 

  

 

Essa lesão foi primeiramente relatada por ele, como cirurgião militar durante a guerra, quando os cavaleiros caíam de seus cavalos com o pé preso ao estribo e, na grande maioria das vezes, evoluíam com gangrena e amputação da porção frontal do pé; isto deu origem ao procedimento chamado de amputação de Lisfranc.

Ela ocorre por traumas de alta energia cinética e cisalhamento, que leva a uma fratura complexa e com deslocamento articular grave do mediopé. Atualmente é ocasionada por traumas em acidentes de trânsito, quedas de altura e em esportes de contato. Representam 0,2 % de todas as fraturas e homens com idade média de 30 anos são os mais suscetíveis a esse tipo de trauma.

 

 

Em um plano frontal, os ossos que compõem essa articulação formam o arco transverso do pé, como se fosse um arco arquitetônico romano, o que atribui grande estabilidade e resistência ao suporte de peso e na transferência da força de impulsão e absorção de impacto.

 

                    

 

Outra característica anatômica importante é que a base do segundo metatarso encontra-se encaixada em um recesso entre o cuneiforme medial e lateral, contribuindo ainda mais para a estabilização e resistência dessa articulação.

 

 

O mecanismo de lesão pode envolver traumas diretos, como a queda de algum objeto pesado sobre o pé, ou indiretos, como a sobrecarga axial e rotação com o pé em flexão ou cisalhamento ao nível do mediopé.

 

      

 

A avaliação radiológica bilateral e comparativa é muito importante para o diagnóstico e caracterização das lesões. Existem parâmetros para avaliar o correto alinhamento da articulação de Lisfranc e evitar que passem despercebidos deslocamentos pequenos.

 

 

A tomografia computadorizada é um excelente exame para avaliar minuciosamente as articulações envolvidas, diagnosticar lesões duvidosas ao RX e planejar o tratamento ortopédico.

 

 

As fraturas e luxações da Lisfranc, na maioria das vezes, são lesões graves e apresentam-se com importante inchaço no meio do pé (mediopé), hematoma plantar e deformidade articular dorsal. A chance de ocorrer síndrome compartimental é alta, cerca de 40 % das lesões por esmagamento, devendo ser diagnosticada e tratada com urgência (ver Síndrome Compartimental).

O objetivo do tratamento é evitar a dor crônica e restaurar a estabilidade e a forma anatômica do pé acometido.

A indicação de tratamento cirúrgico com redução dos fragmentos, limpeza e fixação articular tem sido cada vez mais preconizada para que se alcance bons resultados. Utilizam-se fios metálicos, parafusos e placas para efetuar esse procedimento.

 

              

 

Após o tratamento cirúrgico o pé é imobilizado e retirado do apoio por aproximadamente 08 semanas. Fios e parafusos metálicos podem ser retirados ou não, dependendo da posição e da forma de fixação utilizadas.

O prognóstico após o tratamento da fratura-luxação de Lisfranc é incerto. Depende da importância da lesão e de inúmeros fatores agravantes. As complicações mais comuns são: necrose de pele, dor e deformidade residual, artrose degenerativa (desgaste articular) e a não consolidação dos fragmentos ósseos (não cicatrização óssea).


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