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Sesamoidite e Osteonecrose do Sesamoide

Dr. Silvio Maffi

Sesamoidite e Osteonecrose do Sesamoide

Os sesamoides são dois pequenos ossos arredondados presentes na porção plantar da cabeça do 1º dedo do pé (Hallux), posicionados lado a lado, um lateralmente (sesamoide fibular) e outro medialmente (sesamoide tibial). Ambos os sesamoides são inseridos ao tendão flexor curto do halux.

Os sesamoides são mantidos unidos pelo espesso ligamento interssesamoideo. Outros tendões e ligamentos também fazem parte do chamado complexo glenossesamoideo, uma estrutura articular intrincada que forma a placa plantar e o assoalho de apoio para a cabeça do hallux (dedão).

Esses pequenos ossos absorvem o peso do corpo e o impacto plantar, agindo como amortecedores naturais a cada passo, pulo ou corrida. Ao mesmo tempo, funcionam como roldanas de uma engrenagem, servem para facilitar o movimento, ajudam os tendões a deslizar suavemente, dando mais força para o dedão dobrar e empurrar o chão quando andamos.

Os sesamoides ossificam-se aos 8 anos de idade em meninas e aos 12 anos em meninos.

Em determinadas pessoas, é possível que eles se apresentem de forma bipartida ou multipartida. Isso significa que, em vez de uma estrutura única, o osso é composto por dois ou mais pequenos fragmentos naturais. Essa fusão incompleta envolve mais comumente o sesamoide medial, com uma incidência de 10% e uma probabilidade de bilateralidade de 25%. A presença de um sesamoide lateral bipartido é rara.


Devido às significativas tensões mecânicas e variações anatômicas, o complexo sesamoide parece estar envolvido em numerosos processos patológicos. Esses processos incluem fraturas agudas, fraturas por estresse, pseudoartroses, osteocondrite, osteonecrose e várias condições inflamatórias denominadas sesamoidite.


Sesamoidite

A sesamoidite é o processo inflamatório dos tecidos que  envolvem os ossos sesamóides, como os músculos, tendões, ligamentos e bursas. 

Quando a região plantar do Hallux (dedão do pé) recebe muita pressão e impacto, as estruturas que envolvem os sesamóides podem sofrer sobrecarga mecânica, causando lesão e inflamação local. 


Principais causas:

  • Uso excessivo de salto alto, que desloca o peso do corpo para a ponta do pé

  • Atividades de impacto como: corrida, ballet, futebol ou basquete.

  • Aumento rápido no treino, como começar a correr distâncias cada vez mais longas de forma intensa 

  • Pés cavos,  muito arqueados, que naturalmente imprimem maior pressão na porção frontal do pé.

  • Alterações anatômicas do próprio sesamoide

Sintomas:

  • Dor na porção plantar do pé, logo abaixo do dedão, que piora ao andar, principalmente descalço ou usando calçados de solado fino ou de salto alto. 

  • Inchaço ou uma sensação de calombo sensível no local

  • Dificuldade e dor para dobrar o dedão para cima ou para baixo

Diagnóstico Radiológico:

A radiografia comparativa de ambos os pés com incidência axial é o exame básico de rotina para avaliar o posicionamento e a anatomia óssea dos sesamóides. Entretanto, não apresenta alterações significativas na sesamoidite, servindo apenas para diagnóstico diferencial.

A cintilografia com tecnécio é um exame sensível, mas não específico, para o diagnóstico de processos inflamatórios dos sesamóides. 

A ressonância nuclear magnética é o melhor exame para diagnosticar alterações que envolvem partes moles, inflamação local e para avaliar a perfusão (circulação) sanguínea no interior dos ossos sesamoides.

Tratamento:

O tratamento inicial envolve repouso, suspensão das atividades de impacto, aplicação de gelo, remédios anti-inflamatórios e uso de calçados macios e confortáveis, evitando andar descalço.Eventualmente a imobilização do dedo pode ser realizada para alívio da dor aguda.

Palmilhas sob medida, com alterações que proporcionam alívio da pressão sob os sesamoides, podem ser prescritas tanto para uso rotineiro como para atividades físicas.

Dr. Silvio Maffi

Dr. Silvio Maffi

Especialista em Cirurgia do Pé e Tornozelo