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Coalizão Tarsal


1. O que é Coalizão Tarsal ?

Coalizão é sinônimo de fusão, união, conexão. Tarsal refere-se aos ossos que compõem o tarso, que é a porção formada pelo mediopé e retropé, isto é, a porção central e traseira do pé.

Os ossos que formam o tarso são: calcâneo, tálus, navicular, cubóide, cuneiforme medial, cuneiforme intermédio e cuneiforme lateral (ver figura).

Portanto, coalizão tarsal é a fusão parcial ou total de dois ossos do pé, formando uma barra óssea, cartilaginosa ou fibrosa entre eles. Pode ocorrer em um lado ou nos dois pés simultaneamente.

 

 

2. O que ocasiona a Coalizão Tarsal ?

As causas ainda não são bem conhecidas. A teoria mais aceita é uma alteração congênita da formação óssea, uma falha na segmentação e separação dos ossos durante o desenvolvimento do feto. Sua incidência na população geral é de aproximadamente 1 %.

Além disso, a coalizão tarsal pode estar associada a síndromes e doenças congênitas.

 

3. O que acontece quando existe a Coalizão Tarsal ?

A conseqüência é a perda do arco plantar e a formação de um pé plano (pé chato). Existe perda ou diminuição do movimento das articulações do mediopé e retropé, principalmente da articulação subtalar e a dor é mais intensa após a realização de esforços ou atividades esportivas.

Com o tempo, os tendões fibulares (tendões laterais) ficam encurtados pelo achatamento do arco plantar e pela posição em valgo (para dentro) do pé.

 

4. Quais os tipos de Coalizão Tarsal ?

Existem diversos tipos e formas de coalizão tarsal.

Os tipos mais comuns são dois: a talocalcaneana e calcâneonavicular.

A coalizão talocalcaneana é a fusão entre o calcâneo e o tálus.

Podemos encontrar a barra óssea na articulação posterior, média e anterior do calcâneo com o tálus; mas a faceta média é a mais acometida.

A dor e a rigidez tornam-se importantes por volta dos 12 anos de idade.

Coalizão Talocalcaneana

A coalizão calcâneonavicular é a fusão entre o calcâneo e o navicular.

Normalmente ocorre na porção superior e frontal do calcâneo, chamada de processo anterior, com a borda medial e inferior do osso navicular.

Os sintomas iniciam por volta dos 8 anos de idade.

Coalizão Calcâneonavicular

 

5. Como é feito o diagnóstico de Coalizão Tarsal ?

No exame físico o paciente apresenta deformidade em pé plano, com rigidez articular e dor, principalmente depois de praticar algum esporte ou de ter realizado alguma atividade de esforço.

A queixa de dor inicia entre os 8 e 15 anos, quando a criança ou o adolescente começa a realizar atividade esportiva de maior impacto e coincide com a calcificação da conexão entre os dois ossos.

A dor é referida lateralmente ou medialmente, abaixo do tornozelo. Com o passar dos anos, a dor pode evoluir e tornar-se incômoda até para as atividades simples da vida diária.

Na barra talocalcaneana medial podemos visualizar e palpar uma formação óssea rígida na parte interna do pé, abaixo do tornozelo.

O diagnóstico radiológico é feito através de exames de raio X e tomografia computadorizada.

 

RX - Coalizão Calcâneonavicular

 

Na avaliação do exame de raio x, não é raro o médico passar despercebido pelo diagnóstico de coalizão tarsal, pois algumas são difíceis de serem visualizadas, principalmente as coalizões fibrosas e cartilaginosas.

A tomografia é o melhor exame para diagnosticar a coalizão tarsal. Ela permite um melhor entendimento do tamanho e da forma da fusão entre os ossos.

 

Coalizão Talocalcaneana (vermelho) - Normal (verde)

 

A ressonância magnética é útil para coalizões ainda não calcificadas, crianças menores de 10 anos ou coalizões fibrosas ou cartilaginosas discretas.

 

6. Como é o tratamento da Coalizão Tarsal ?

Tratamento Conservador:

Indica-se o tratamento conservador para amenizar a dor e postergar o tratamento cirúrgico.

O tratamento inicial consiste em diminuir a atividade física, no uso de órtese imobilizadora por 4 a 6 semanas e medição antiinflamatória e analgésica.

Pode-se utilizar a palmilha para suporte e estabilização do retropé na tentativa de aliviar a dor.

Tratamento Cirúrgico:

As coalizões sintomáticas, sobretudo a calcâneonavicular e talocalcaneana, têm indicação de tratamento cirúrgico.

O princípio do tratamento cirúrgico é desfazer a barra óssea ou qualquer outro tipo de fusão, liberando o movimento articular. O cirurgião deve tomar alguns cuidados para evitar que a coalizão se refaça, interpondo tecido mole (músculo ou gordura) dentro do espaço formado pela retirada óssea.

Na coalizão calcâneonavicular a incisão é feita lateralmente, um pouco abaixo do tornozelo, e a ressecção é feita em forma de retângulo, com interposição de uma porção muscular local do pé.

 

Na coalizão talocalcaneana a incisão é realizada medialmente, abaixo do tornozelo, e a ressecção é feita em camadas até a completa liberação. Também é necessário interpor partes moles para evitar a recidiva.

 

 

Nos casos mais tardios, com degeneração articular avançada, rigidez e artrose das articulações envolvidas, o tratamento cirúrgico indicado é a artrodese, isto é, a fusão completa da articulação para eliminar o movimento residual e a dor.

 

7. Quais os cuidados após a cirurgia ?

Após a cirurgia o paciente não necessita usar nenhum aparelho gessado ou qualquer outro tipo de imobilização, mas requer o uso de muletas para não apoiar o pé operado.

O curativo é trocado semanalmente até a retirada dos pontos no final da segunda semana.

Exercícios são estimulados precocemente. A fisioterapia é indicada a partir da 3ª ou 4ª semana, com liberação progressiva do apoio durante a marcha.

O ganho de movimento do retropé após a cirurgia é variado, considera-se bons resultados quando alcançado 50% do movimento normal, além disso, a forma plana do pé dificilmente se restabelece por completo.

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